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Saúde ainda não sabe quantos imóveis serão abertos para vistoria

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) ainda não sabe quantos imóveis abandonados ou simplesmente fechados para locação ou venda serão abertos com base na ordem judicial para combate a possíveis focos do mosquito Aedes aegypti, que transmite dengue, zika e chikungunya.

De acordo com as informações, aproximadamente mil imóveis, apenas na região urbana do centro de Campo Grande, estão desabitados, e para fazer o trabalho de vistoria a prefeitura precisará de ajuda. Chaveiros devem ser chamados para abrir as residências para que os agentes possam atuar nos imóveis. Somente na região, a previsão é de que o trabalho seja feito em até 41 dias, isso se as equipes conseguirem abrir 30 casas por dia, cinco dias por semana. Conforme boletim epidemiológico da prefeitura, atualizado até quarta-feira, são 6.414 notificações de dengue.

Além da grande quantidade de registros, a prefeitura esbarra em outro problema.

O número oficial de imóveis deve aumentar, uma vez que, durante as vistorias, as equipes podem encontrar mais casas em que os moradores ou responsáveis não são localizados. São para esses casos, onde se esgotam todas as possibilidades, que a prefeitura pediu à Justiça autorização de acesso, a qual foi concedida na noite de 27 de fevereiro, pelo juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.

Segundo a supervisora geral da região Central, da Controladoria de Controle de Endemias Vetoriais, Rosana Mercado, a região tem 13 bairros, com 4 mil casas que estão para alugar, vender e ainda com moradores. “Porém, em torno de 1 mil estão desabitadas, mas o número pode subir”.

Em janeiro e fevereiro, 1.178 casas foram vistoriadas. “Foram 744 casas em janeiro e 434 em fevereiro. Em 80% dos imóveis, são encontrados focos de dengue”, explicou a supervisora. Quando são encontrados focos nas casas que estão para alugar ou vender, a imobiliária tem 48 horas para acabar com eles. “No mesmo dia em que a gente faz a leitura para saber se tem larva, já sai o resultado”, disse Rosana.

Vasos sanitários, piscinas e ralos são os locais onde mais são encontrados focos do mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya.

Ontem (28) a reportagem do Correio do Estado acompanhou a vistoria em um casa no Jardim Monte Líbano, na Capital. Os agentes fiscalizaram todos os banheiros, calhas e ralos, mas não encontraram nenhum foco.

Por semana são feitas em média 150 vistorias em parceria com as imobiliárias, de acordo com Eliasze Guimarães responsável pela Controladoria de Controle de Endemias Vetoriais da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). “É um trabalho de rotina com as imobiliárias. Eles liberam a chave e os agentes entregam no mesmo dia”.

Guimarães alertou que a maior concentração de focos  é na região central. “Acaba sendo a região do centro por conta da densidade, mas os focos estão por toda a cidade”.
Dados da Vigilância Epidemiológica da Sesau demonstram que a incidência de dengue já supera a marca de 527 casos para cada 100 mil habitantes. “Isso até a semana sete, já estamos na semana nove”, detalhou.
A parceria com a prefeitura para abrir os imóveis já ocorre há dez anos . “Temos essa preocupação, pois as casas que estão para alugar ou vender, geralmente estão vazias”, afirmou o vice-presidente do Sindicato de Habitação (Secovi-MS), Luiz Carlos Gomes.

FIOCRUZ

A pesquisadora em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Zoraida Fernandez, informou que os agentes de saúde trabalham o ano todo para o controle de focos do mosquito. “Eles avaliam a densidade de mosquitos, fazem um trabalho de prevenção em casas, terrenos baldios. Esse controle é o ano todo e não só agora”.

E a possibilidade de epidemia ocorre mesmo com a prevenção, pois o vírus que circula é o sorotipo 2. “Esse vírus não circulava em Campo Grande desde 2012 e podem ter várias pessoas suscetíveis. Isso acaba contribuindo em maior número de casos”.

 

Fonte: Correio do Estado