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‘Papel nenhum mantém agressor longe’, diz irmão de professora morta pelo ex

Corpo de Maxelline foi velado e sepultado nesta segunda-feira

Da professora Maxelline Santos ficaram as recordações e os sonhos deixados pela metade. Morta no fim de semana pelo ex-namorado guarda municipal, ela foi velada e sepultada pela família nesta segunda-feira (2). O episódio de violência doméstica se repetiu mais uma vez em Campo Grande e para o irmão dela, os mecanismos que deveriam protegê-la não passaram de letras impressas em um documento.

“Essa medida protetiva não adiantou de nada. Papel nenhum mantém o agressor longe”, disse o repositor Max Sandro da Silva dos Santos, 32 anos.

Maxelline era a irmã do meio. Max lembra que ela batalhava especialmente para realizar duas metas de vida: dar aulas para crianças e comprar a casa própria. “O primeiro sonho, ela já havia realizado”, contou ao Correio do Estado.

O que causa mais indignação na família é que Valtenir Pereira da Silva, em tese, deveria trabalhar para proteger a vida e não ceifá-la. “Um cara desses não pode colocar uma farda e sair armado por aí”, exclama. “Vamos correr atrás para ele ser preso, evitando que faça outras mães chorarem”.

RELACIONAMENTO

Segundo o irmão da vítima, o guarda municipal não tinha comportamento anormal durante o namoro e Maxelline tampouco chegou a relatar aos parentes qualquer episódio de violência.

O relacionamento durou dois anos e os dois chegaram a morar juntos para que a professora economizasse dinheiro e mobiliasse a casa. Ao adquirir os bens, voltou a viver de aluguel sem desatar com Valtenir.

Ele participava dos encontros de família. “Era bem na dele, não falava muito e ninguém chegou a ficar próximo a ele”, diz Max.

A separação veio há dois meses, quando ela descobriu que o servidor público havia sido casado e tinha inclusive um filho, mas havia escondido a informação da namorada. Foi então que os problemas começaram.

REVIRAVOLTA

Certa noite, Maxelline estava em casa se vestindo após o banho quando Valtenir pulou o muro, visivelmente embriagado e armado. Diante das ameaças, a mulher fugiu seminua pela rua e foi acolhida por um casal da vizinhança..

Aquela ocasião a motivou procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), registrar o boletim de ocorrência e pedir restrição. A Justiça proibiu o guarda de se aproximar dela.

“Ele não aceitava o fim”, diz o irmão da vítima. Ele questiona o motivo de Valtenir não ter perdido o porte após o episódio, já que representava, na opinião dele, uma clara ameaça.

CRIME

Os parentes acreditam que o guarda seguiu Maxelline até a casa de um casal de amigos. Bateu palmas. “Disseram que houve discussão, mas não teve tempo. Quando abriu o portão atirou na cabeça dela sem falar nada”, afirma o repositor.

A amiga, Kamila Tellis, 31 anos, tentou correr, mas foi atingida nas costas. O marido dela,  Steferson Batista de Souza, ao sair para ver o que havia acontecido e foi morto com um tiro no tórax.

Camila, segundo informações da Santa Casa, está internada na ala vermelha com a bala alojada e aguarda cirurgia. Respira sem ajuda de aparelhos e o quadro clínico dela é considerado estável.

“Ela era muito feliz, alegre, inocente e trabalhadora. Gostava muito de fazer amizades e adorava trabalhar com crianças”, completa o irmão sobre as lembranças que ficarão latentes na memória daqueles que eram próximos de Maxelline.

CORPORAÇÃO

A Guarda Municipal instaurou processo administrativo disciplinar contra Valtenir, que continua foragido, pois existe prisão contra ele decretada pela Justiça. Ele foi afastado das funções por 60 dias e teve o porte e posse de arma suspenso.

 

 

Fonte: Correio do Estado