
Pandemia reduz venda de erva, mas adeptos ao tereré mantêm hábito mesmo sem roda de amigos
Rodas de tereré ficaram no passado devido perigo de transmissão do coronavírus
Com a chegada do coronavírus ao Mato Grosso do Sul, muitos hábitos mudaram, inclusive um dos mais tradicionais da região: o hábito de reunir amigos ou familiares para o tereré. Como o coronavírus é transmitido pelas gotículas de saliva, as rodas de tereré ficaram no passado, mas os adeptos da bebida mantêm o hábito mesmo sozinhos.

No Mercadão de Campo Grande, os vendedores de erva e de acessórios para o tereré já percebem uma queda nas vendas, mas explicam que os clientes fiéis continuam comprando. Cleiton Rodrigo, de 37 anos, é dono de duas bancas de erva e disse que no início da pandemia na Capital sentiu uma queda nas vendas de cerca de 30%. Mas, aos poucos a clientela aparece, já que quem gosta da bebida, continua consumindo, mesmo sem as tradicionais rodas de amigos. “Eu vendia uma tonelada e agora vendo cerca de 800 kg. Os clientes fixos mantiveram o padrão de consumo”, conta.

Osmar Pereira, de 54 anos, é proprietário de três bancas de tereré e afirma que houve uma queda nas vendas, seja pela pandemia ou pelo clima, que já começa a esfriar no outono. “É um comportamento normal, os clientes consomem menos tereré nesta época. O que impactou mais foi o turismo. Eram os turistas que compravam em grande quantidade para levar para a cidade natal, mas agora não está tendo turismo”.
Renilda Fernandes, de 33 anos, é dona de casa e é um exemplo de que quem gosta de tereré continua tomando, mesmo sozinha. Ela comprou 1,3 kg de erva e disse que toma sozinha em uma fazenda no Indubrasil. “Antes eu tomava com os vizinhos, agora tomo sozinha. Tenho mais medo de pegar o coronavírus ao vir para Campo Grande do que do tereré em si”, diz.
Delanheve Nunes, de 53 anos, também continua tomando o tereré. A diferença é que a roda de familiares ficou para trás e agora toma a bebida sozinha, como uma maneira de se refrescar nos dias mais quentes.
Fonte: Midiamax