
Com umidade do ar crítica, clima de Mato Grosso do Sul se assemelha ao deserto
Campo Grande registrou 9% de umidade relativa do ar na tarde desta quarta-feira (21)
Mato Grosso do Sul registrou umidade relativa do ar semelhante ao clima desértico na tarde desta quarta-feira (21), de acordo com levantamento feito pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec).
Os pontos em comum que comparam o Estado com o deserto são umidade relativa do ar inferior a 10% e grande amplitude térmica, que é a diferença entre temperatura máxima e mínima.
Segundo o meteorologista Natálio Abrahão, Coxim bateu 8% de umidade, Campo Grande 9% e Cassilândia 10% na tarde de ontem (21).
Além disso, a umidade relativa do ar se aproximou ao clima desértico em outras cidades do Estado: Corumbá bateu os 11%, Água Clara 11%, Três Lagoas 11%, Costa Rica 12%, Dourados 13%; Rio Brilhante 14%; Ribas do Rio Pardo 15%; Ponta Porã 17%, Angélica 17% e Ivinhema 17%.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a umidade do ar indicada é de no mínimo 60%.
O clima desértico é caracterizado pelo clima árido, pouca chuva, baixíssima umidade relativa do ar e grande amplitude térmica, que é temperatura alta durante o dia e baixa à noite.
As máximas podem atingir 50ºC de dia e 0ºC à noite. Seu solo é composto por areia, com frequente formação de dunas.
Existem desertos quentes e frios. Os maiores desertos do mundo são Deserto da Antártida, localizado na Antártida, com 14.000.000 km²; Deserto do Saara, localizado na África, com 9.000.000 km² e Deserto da Arábia, localizado na Ásia, com 1.300.000 km².
Perigo
A baixíssima umidade do ar cria alerta para surgimento de doenças respiratórias e queimadas.
Mudanças repentinas no tempo favorecem o surgimento de doenças respiratórias como rinite, sinusite, gripe e inflamação na garganta, de acordo com o enfermeiro e doutor em Infectologia, Everton Lemos.
Os sintomas das doenças citadas são muito parecidos com os da Covid-19, portanto, a população deve ficar alerta.
A melhor forma de distinguir doenças respiratórias do vírus da Covid-19 é fazendo a testagem.
Além disso, a secura presente no Estado intensifica a ocorrência de queimadas na região da Nhecolândia e do Paraguai-Mirin, de acordo com Abrahão.
Abrahão diz que a combinação de solo seco, vegetação seca, temperatura baixa e umidade relativa do ar baixa são ideais para fogo no Pantanal e norte do Estado.
A vegetação perde líquido com as baixas temperaturas, o que a deixa seca, favorecendo a ocorrência de queimadas.
“As massas de ar polar multiplicam as secas em todo Estado”, afirma Abrahão ao Correio do Estado.
Segundo orientações do Ministério da Saúde, em caso de tempo seco o cidadão deve:
- Beber dois litros de água por dia
- Evitar atividades físicas das 9h às 17h
- Umidificar o ambiente com toalha molhada ou balde de água
- Evitar exposição solar
- Hidratar a pele
- Evitar ambientes fechados
- Evitar uso de fogo
Previsão do tempo para os próximos dias
A previsão para os próximos dias é de temperaturas altas e tempo ensolarado em Mato Grosso do Sul, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O céu permanece claro com predomínio de sol. Não há previsão de chuva para este fim de semana. Dias serão quentes e noites serão frias, o que marca grande amplitude térmica.
A umidade relativa do ar deve permanecer em níveis críticos. De acordo com a coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, a previsão é que a umidade varie entre 20 e 30%.
O frio e chuva devem retornar a partir do dia 27 e se estender até 30 de julho, de acordo com Abrahão.
Fonte: Correio do Estado