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Planeta perdeu mais de 41 milhões de hectares de florestas em uma década, alerta ONU

Relatório aponta avanço do desmatamento entre 2015 e 2025, com maiores perdas na América do Sul e África

A área florestal do planeta diminuiu mais de 41 milhões de hectares entre 2015 e 2025, segundo o novo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas durante o Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, realizado em Nova York. A perda representa cerca de 1% de toda a cobertura florestal mundial.

O documento revela que a América do Sul e a África lideraram as perdas florestais no período, com reduções de 4,61% e 4,28%, respectivamente.

De acordo com o relatório, o planeta perdeu, em média, 4,12 milhões de hectares de floresta por ano na última década — número superior à média registrada entre 2000 e 2015, quando o desmatamento anual era de 3,68 milhões de hectares.

Apesar disso, a ONU destaca que os índices ainda são inferiores aos registrados ao longo do século XX, quando a destruição chegou a atingir aproximadamente 10,7 milhões de hectares por ano.

Florestas primárias também sofreram perdas severas

O relatório também chama atenção para a destruição de cerca de 16 milhões de hectares de florestas primárias nos últimos dez anos. Essas áreas são consideradas fundamentais para a biodiversidade por apresentarem pouca ou nenhuma interferência humana.

Segundo a ONU, atualmente as florestas cobrem aproximadamente 32% da superfície terrestre, somando cerca de 4,14 bilhões de hectares.

Cinco países concentram mais da metade das florestas do planeta:

  • Rússia — 20%
  • Brasil — 12%
  • Canadá — 9%
  • Estados Unidos — 7%
  • China — 5%

Metas ambientais seguem atrasadas

O relatório avalia os seis Objetivos Globais para as Florestas definidos pela ONU no Plano Estratégico para Florestas 2017-2030.

Das 26 metas estabelecidas:

  • 7 já foram alcançadas;
  • 17 avançaram parcialmente;
  • 2 seguem claramente atrasadas.

Entre os principais atrasos estão:

  • o aumento de 3% da área florestal global;
  • a erradicação da pobreza extrema entre populações que dependem diretamente das florestas, especialmente na África Subsaariana.

Falta de financiamento preocupa ONU

Outro ponto de preocupação é o financiamento insuficiente para políticas de preservação ambiental.

Segundo o relatório, os investimentos globais destinados à gestão florestal sustentável chegaram a cerca de 84 bilhões de dólares em 2023 — muito abaixo dos 300 bilhões anuais considerados necessários até 2030.

A maior parte dos recursos, cerca de 90%, vem de fundos públicos nacionais. Já a participação do setor privado continua baixa, enquanto menos de 4% do financiamento tem origem em ajuda internacional ao desenvolvimento.

A ONU também alertou para desafios persistentes, como:

  • degradação contínua das florestas;
  • mudanças climáticas;
  • extração ilegal de madeira;
  • comércio clandestino ligado ao desmatamento.

Brasil e China aparecem entre exemplos positivos

Entre os destaques positivos citados pela ONU está o Brasil, que ampliou áreas de manejo sustentável de longo prazo. Segundo o relatório, isso permitiu a produção de mais de 2,15 milhões de metros cúbicos de madeira com rastreabilidade e certificação de origem.

A China também foi mencionada pela criação de cinco parques nacionais em 2021, abrangendo cerca de 230 mil quilômetros quadrados.

Segundo a ONU, as florestas armazenam aproximadamente 172 toneladas de carbono por hectare e abrigam:

  • 80% das espécies de anfíbios do planeta;
  • 75% das aves;
  • 68% dos mamíferos.