
A disseminação de novos casos de ebola na África voltou a acender o alerta global. A Organização Mundial da Saúde declarou emergência em saúde pública de importância internacional após a confirmação de surtos do vírus Bundibugyo — uma variante do ebola — na República Democrática do Congo e em Uganda.
O anúncio ocorre após autoridades sanitárias da República Democrática do Congo identificarem um surto de alta mortalidade na província de Ituri, inicialmente associado a uma doença desconhecida. Dias depois, análises laboratoriais confirmaram a presença do vírus Bundibugyo em amostras coletadas na região.
O cenário preocupa autoridades internacionais devido ao histórico de letalidade do ebola e ao risco de disseminação entre países vizinhos.
Como começou o novo surto?
No início do mês, profissionais de saúde da República Democrática do Congo emitiram um alerta após o surgimento de casos graves e mortes em Mongbwalu, município localizado na província de Ituri.
Após exames conduzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa, oito das 13 amostras analisadas testaram positivo para o vírus Bundibugyo, uma das espécies do ebola.
Poucos dias depois, Uganda confirmou um caso importado: um cidadão congolês morreu na capital, Kampala, após contrair a doença.
Diante da situação, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou os surtos simultâneos como uma emergência internacional de saúde pública.
O que é o ebola?
O ebola é uma doença viral grave e frequentemente fatal, causada por vírus do gênero Orthoebolavirus, da família Filoviridae. A enfermidade afeta seres humanos e outros primatas.
Até o momento, seis espécies do vírus foram identificadas, sendo três associadas a grandes surtos: Ebola, Sudão e Bundibugyo.
A doença possui uma taxa média de mortalidade de aproximadamente 50%, embora surtos anteriores tenham registrado letalidade de até 90%, segundo a OMS.
Como o vírus é transmitido?
A transmissão do ebola ocorre principalmente por:
- contato direto com sangue ou fluidos corporais de pessoas infectadas;
- contato com superfícies ou objetos contaminados;
- manipulação de corpos de vítimas sem proteção adequada;
- contato com animais silvestres infectados, como morcegos frugívoros e primatas.
O vírus não é transmitido antes do surgimento dos sintomas, mas o contágio se torna altamente provável após a manifestação clínica da doença.
Quais são os sintomas?
O período de incubação do ebola varia entre dois e 21 dias.
Os sintomas iniciais costumam incluir:
- febre alta;
- fadiga intensa;
- dores musculares;
- dor de cabeça;
- dor de garganta.
Com a progressão da doença, podem surgir:
- vômitos;
- diarreia;
- dores abdominais;
- lesões na pele;
- comprometimento dos rins e fígado;
- sangramentos internos e externos, em casos mais graves.
Especialistas alertam que os sintomas podem ser confundidos com doenças como malária, dengue, febre tifoide e meningite, tornando essencial a confirmação laboratorial.
Existe tratamento ou vacina?
Atualmente, existem tratamentos aprovados para algumas formas do vírus ebola, como os medicamentos monoclonais Ansuvimab e Inmazeb.
Já para o vírus Bundibugyo — responsável pelo surto atual — ainda não há terapia específica aprovada.
Em relação à prevenção, duas vacinas são reconhecidas para a doença causada pelo vírus Ebola: Ervebo e Zabdeno/Mvabea.
Como se proteger durante surtos?
A OMS orienta medidas preventivas, como:
✔️ evitar contato com pessoas infectadas ou suspeitas;
✔️ higienizar as mãos frequentemente;
✔️ evitar manipular corpos sem proteção;
✔️ não consumir carne de animais encontrados mortos;
✔️ cozinhar bem produtos de origem animal.
Profissionais da saúde, familiares e cuidadores de pacientes estão entre os grupos com maior risco de infecção.
Cronologia do ebola: do surgimento aos novos surtos
- 1976: primeiros surtos identificados na África;
- 2014 a 2016: maior epidemia da história, atingindo Guiné, Serra Leoa e Libéria;
- 2026: novos surtos do vírus Bundibugyo registrados na República Democrática do Congo e Uganda, levando a OMS a emitir alerta global.
O novo avanço da doença reforça a preocupação internacional com a vigilância sanitária e a resposta rápida para evitar uma nova crise de grandes proporções no continente africano.