
Como já disse antes, enfrentei seríssimos problemas de saúde no final do ano passado e, graças à medicina, estou vencendo-os paulatinamente. Verdade que enfrentei alguns equívocos, felizmente de pequena monta, que serviram apenas para retardar o encontro de soluções.
O longo internamento hospitalar, necessário para o tratamento prévio de duas infecções graves e os procedimentos cirúrgicos no órgão vital chamado miocárdio, comumente e poeticamente denominado coração, deixaram-me com algumas sequelas, entre elas uma infernal tontura, que vem tolhendo meus movimentos de forma constante há mais de quatro meses, cuja causa foi objeto de diversas conjecturas por parte de alguns médicos, nenhuma delas acertando o alvo.
O primeiro diagnóstico oficial, dado por neurologista com base em exames laboratoriais, foi seguido de uma desanimadora e terrível conclusão: não há tratamento para isso, sendo necessário apenas ter muita paciência e realizar exercícios físicos, pois só o decorrer do tempo poderia trazer algum alívio. Desnecessário dizer que fiquei arrasado com tal notícia.
Porém, outro especialista recomendou-me buscar uma segunda opinião e indicou-me o nome de um profissional da área neurológica, a quem imediatamente procurei. Após exames físicos demorados e reapreciação dos exames anteriormente realizados, ponderou que as causas antes apontadas não seriam suficientes para levar a esse quadro, aventando outra possibilidade e pedindo novos exames. Bingo! Estes apontaram sérias lesões no labirinto, órgão do aparelho auditivo, responsável por nosso equilíbrio, causadas pelos antibióticos aplicados no hospital para debelar as infecções. Mas, ponderou ele, eram os antibióticos ou a morte, conhecidos que são esses medicamentos como causadores de males colaterais ao nosso organismo. No momento em que escrevo, estou aguardando o retorno do médico, que se encontra em viagem, para indicar o tratamento.
Porém, os exames realizados lá atrás, em outubro de 2017, quando buscava a causa dos sintomas que vinha sentindo (desânimo, cansaço, perda do paladar, etc.) revelaram outros males de que padecia, desconhecidos até então, entre eles a existência de cálculos (pedras) em um dos rins, cujo tratamento vinha postergando em face dos outros problemas de que falei acima.
Consultando agora o especialista da área, este fez todo um interrogatório sobre meu histórico de doenças, cirurgias, etc. Narrei tudo o que passei nos últimos meses e ele foi lançando as informações no computador. Em dado momento fui surpreendido com uma pergunta sua em tom acima do normal, quase gritando: “O senhor é surdo?” Pensei que fosse uma reprimenda por uma possível falta de resposta a alguma pergunta que fizera e, ainda surpreso, confirmei que sim, tenho uma sensível redução na capacidade auditiva. Todavia, ele completou, bem-humorado: “Jesus chamou e o senhor não ouviu?” Risadas foram inevitáveis. Mais exames foram solicitados e, após os resultados, verificar-se-á o que fazer.
* Oswaldo Barbosa de Almeida, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.
Fonte: Correio do Estado.