
Alta do dólar em relação ao real ‘parece limitada’ agora, diz Barclays
De acordo com o banco, a moeda brasileira tem sido afetada pelo ciclo de flexibilização monetária do Banco Central, que levou as taxas de juros reais abaixo do nível neutro
O avanço do dólar em relação ao real “parece limitado” e, assim, o câmbio deve permanecer estável nos próximos dois trimestres, projetam os economistas do Barclays.
Para eles, a moeda americana deve chegar ao fim deste ano em R$ 4,15, nível que também deve ser observado no fim do primeiro trimestre de 2020. No segundo trimestre do próximo ano, o dólar passaria para R$ 4,20, e, no final de setembro de 2020, estaria em R$ 4,25, nível que também é visto pelo Barclays no fim do ano que vem.
De acordo com o banco britânico, a moeda brasileira tem sido afetada pelo ciclo de flexibilização monetária do Banco Central, que levou as taxas de juros reais abaixo do nível neutro.
“Em um ambiente de baixas taxas de juros e prêmio de risco comprimido, os cortes do BC estão trazendo desvantagens para a moeda. O ambiente global mais estável apoia moedas de mercados emergentes no curto prazo, mas o carry trade torna o real menos atraente do que os pares emergentes de alto rendimento”, dizem os economistas do Barclays.
Carry trade nada mais é do que tomar dinheiro num país com taxa de juros baixa (como a americana) e aplicar a quantia em outra paragem que pague retornos maiores (caso de emergentes, como o Brasil).
Para eles, contudo, a alta do dólar “parece limitada” e é provável que a liberação dos fundos do FGTS proporcione um aumento temporário no Produto Interno Bruto (PIB), “o que trará otimismo sobre uma potencial recuperação do crescimento subjacente”. Os economistas elevaram a projeção para a expansão do PIB em 2020 de 2,0% para 2,3%.
Quanto ao mercado de juros, a equipe do Barclays nota que “a ponta curta da curva dos DIs está precificando um caminho de política monetária semelhante às nossas expectativas (um corte em dezembro de 50 pontos-base e o início de uma normalização no segundo semestre de 2020)”. Na avaliação dos economistas do banco britânico, o progresso nas reformas, “se houver, provavelmente será lento e sofrerá atrasos”, o que deve limitar a possível redução no prêmio de risco fiscal.
Nesse sentido, o banco britânico acredita que a curva de juros deve enfrentar pressões acentuadas diante do prêmio de risco já em níveis baixos na ponta longa, “uma vez que o BC revelou sua preferência em dar apoio ao crescimento cíclico”.