
Bancos e casas internacionais apostam na bolsa brasileira
Mesmo com impasse entre China e Estados Unidos longe de ser resolvido, Ibovespa teve alta e pode continuar subindo
Fique de olho
Apesar do possível adiamento de um acordo entre Estados Unidos e China ser um ponto de atenção (e cautela) do mercado, ontem o Ibovespa fechou em alta de 1,54%, com 107.496 pontos. Aparentemente, a confiança na bolsa brasileira está aumentando, com grandes casas internacionais recomendando alocações em ações brasileiras.
Alguns fatores positivos que demonstram isso foram, por exemplo, a avaliação do banco UBS, que dava à bolsa brasileira um selo de “strong overweight” (uma expressão que indica que aquele ativo ou bolsa pode ter um desempenho maior do que o esperado). Ao mesmo tempo, o BTG Pactual elevou a recomendação para as ações locais e cravou que o Ibovespa pode chegar a 131 mil pontos em 2020.
A indicação de grandes bancos por ações locais também impactou no dólar. Com o impasse entre Estados Unidos e China, a moeda norte-americana oscilou entre leves altas e quedas ao longo do dia, até encerrar em queda de 0,13%, valendo R$ 4,1934. Segundo analistas, a reafirmação da expectativa positiva para a bolsa brasileira pode ter impactado positivamente o câmbio local.
Por outro lado, no entanto, não há perspectivas tão claras de valorização do real. Eventos que trazem volatilidade para o mercado, como a decisão do presidente Jair Bolsonaro de deixar o PSL e criar um novo partido e a soltura do ex-presidente Lula podem impactar negativamente a moeda. O mercado também não viu com bons olhos a fala do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que “a autoridade monetária agirá via juros caso o dólar ameace a inflação, mas sem intervenções no mercado cambial”.
Confira o que esperar dos mercados hoje, às 8h35, no “Morning Call” com o analista Raphael Figueredo, o Rafi, da Eleven Financial:
Agenda
Hoje há a divulgação dos dados de inflação do IPCA-15 às 9h pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que devem concentrar a atenção dos investidores locais.
Nos Estados Unidos, haverá a divulgação do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da manufatura e de serviços.
Na Europa, a Alemanha divulgou os dados do seu PIB do terceiro trimestre, que subiu 0,1% na margem e 0,5% no ano.
Mercados Internacionais
Devido ao impasse nas negociações entre China e EUA, as bolsas norte-americanas tiveram queda.
Na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), o Dow Jones terminou a sessão em queda de 0,20%, aos 27.766,29 pontos, enquanto o S&P 500 fechou o dia com perdas de 0,16%, aos 3.103,54 pontos. O índice eletrônico Nasdaq recuou 0,24%, a 8.506,21 pontos.
Na China, o índice Xangai Composto recuou 0,63%, a 2.885,29 pontos, e o Shenzhen Composto teve queda de 1,45%, a 1.607,51 pontos.
Já o japonês Nikkei subiu 0,32%, a 23.112,88 pontos, devido ao bom desempenho de ações do setor de eletrônicos.
A preocupação mundial com as negociações entre China e Eua também impactaram as bolsas europeias, que fecharam em baixa.
O índice de referência da Bolsa de Londres, o FTSE 100, caiu 0,33%, para 7.238,55 pontos, com o número de ações em baixa sendo o dobro das em alta.
Em Frankfurt, o índice de referência DAX caiu 0,16%, com 13.137,70 pontos, e está a 3,11% do seu recorde de 13.559,60 pontos atingido em janeiro do ano passado.
Em Paris, o índice CAC 40 teve queda de 0,22%, com 5.881,21 pontos, enquanto e em Madri, o IBEX perdeu 0,12%, aos 9.214,00 pontos. Em Milão, o FTSE MIB fechou em queda de 0,31%, com 23.279,78 pontos.
Empresas
- GPA e Via Varejo
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) e a Via Varejo, que reúne as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, já desmontaram boa parte da estrutura que unia as operações das duas empresas. A separação definitiva ainda deve avançar em outras frentes. A principal e e ais sensível será envolvendo a marca Extra.com, segundo reportagem e Adriana Mattos, do Valor Econômico.
- Braskem
Fernando Musa, presidente da Braskem, será substituído pelo presidente do conselho de administração da petroquímica, Roberto Simões. O executivo deixa o cargo depois de a Petrobras, segunda maior acionista da companhia, ter feito críticas à atual gestão e ter pedido à sócia Odebrecht a troca, conforme informações de Stella Fontes, do Valor Econômico.
- Volsk e Ford
Com o fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, onde eram montados seus caminhões, as alemãs Mercedes-Benz e Volkswagen Caminhões e Ônibus são as fabricantes que podem dividir esse mercado que ficou “órfão”, segundo Ana Paula Machado, do Valor Econômico.
Fonte: Valor-Investe