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Com filiações de última hora, eleição da FFMS favorece manutenção de poder e sufoca tentativa de renovação

Vitória de Estevão Petrallás foi decidida por votos de clubes amadores recém-filiados; Baird venceu entre os times profissionais da elite

A disputa pela presidência da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul foi vencida por Estevão Petrallás, em um processo que acendeu sinais de alerta quanto à integridade do sistema eleitoral da entidade. A adesão repentina de 19 clubes amadores dias antes da votação definiu o resultado a favor do ex-dirigente do Operário.

Dados disponíveis no site da FFMS mostram que até novembro de 2024 havia 37 clubes aptos a votar. No mês da eleição, esse número saltou para 51. A discrepância, somada à publicação da lista de votantes apenas na semana da eleição, levantou questionamentos entre dirigentes, principalmente sobre o cumprimento da exigência estatutária de filiação com 60 dias de antecedência.

Pelo sistema de pesos, os clubes profissionais da primeira divisão tinham maior influência, e foi entre eles que André Baird venceu por 6 a 4. Mesmo somando mais votos nas categorias de peso 2 e 3, o candidato foi derrotado pelo apoio massivo de instituições amadoras, cujo peso individual foi determinante.

A eleição ocorre em meio à tentativa de reestruturação do futebol estadual após a prisão do ex-presidente Francisco Cezário, afastado por suspeitas de desvio de recursos. Petrallás, que ocupava o cargo interinamente desde maio, foi confirmado na presidência com mandato até 2027 e remuneração de R$ 215 mil.

A manutenção de figuras ligadas à antiga gestão levanta dúvidas sobre o futuro do futebol local. Baird representava uma possível ruptura com práticas antigas, e sua derrota, mesmo com apoio dos principais clubes do estado, revela a fragilidade democrática da entidade.

Apesar das controvérsias, Baird optou por não contestar judicialmente o pleito, mas afirmou estar disponível caso surjam mudanças legais que possibilitem nova disputa. O futebol sul-mato-grossense segue à margem de mudanças estruturais profundas.

Foto: Reprodução Instagram