
Fabricantes de motos elevam projeções para o ano e preveem crescer em 2020
A maior oferta de crédito, somada à queda nas taxas de juros, sustenta o desempenho dos fabricantes em 2019
O desempenho dos fabricantes de motos em outubro, mantendo o ritmo de crescimento verificado no restante do ano, provocou a revisão para cima das projeções para 2019.
O bom momento também se reflete nas estimativas para 2020, com expectativas de expansão tanto em produção como em vendas.
Os números foram apresentados ontem (18) pela Abraciclo, entidade que representa os fabricantes instalados no Polo Industrial de Manaus, durante a abertura do Salão Duas Rodas 2019 à imprensa. O evento será aberto hoje ao público e vai até domingo na São Paulo Expo.
A produção em outubro somou 109,1 mil motos, aumento de 7,9% sobre o mesmo mês de 2018. No acumulado do ano já são 945, 6 mil unidades montadas, volume 7,6% superior ao mesmo período de 2018.
Isso levou à revisão da produção total no ano de 1,1 milhão para 1,105 milhão de motos, projetando alta de 6,6% no ano.
A estimativa de produção para o ano pode ser considerada conservadora. Se for mantida a média de 100 mil motos mensais em novembro e dezembro, o total chegaria perto de 1,15 milhão de unidades. Isso significaria alta em torno de 11% no ano. Bem mais próxima da estimativa de crescimento de produção da Honda, líder de mercado com pouco 80% de participação.
“Vamos crescer 13,5% neste ano. Não temos estoque em Manaus. Nossa rede também não tem estoque. Nossos números de produção, venda no atacado e varejo se aproximam muito”, afirma Alexandre Cury, diretor comercial da Moto Honda.
O número de licenciamentos de motos no mês passado cresceu 18% na comparação anual, somando 98,3 mil unidades. Com esse resultado, o acumulado do ano chega a 894,8 mil licenciamentos, expansão de 14,8% entre janeiro e outubro.
A Abraciclo elevou a previsão de venda no varejo de 1,02 milhão para 1,07 milhão de motos em 2019, alta de 13,8%.
A maior oferta de crédito, somada à queda nas taxas de juros, sustenta o desempenho dos fabricantes neste ano.
Segundo Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, também há um movimento dos consumidores em busca de “alternativas para a mobilidade urbana, com preferência por modos de locomoção de maior rapidez”.
Para 2020 as projeções do setor repetem o otimismo. As primeiras estimativas da Abraciclo indicam alta de 6,3% na produção, somando 1,175 milhão de motos; e de 6,5% nas vendas no varejo, com 1,14 milhão de licenciamentos.
“Desde o ano passado o setor de motocicletas dá sinais concretos de recuperação. Começou em 2018, se consolidou em 2019 e deve seguir em 2020”, diz Fermanian.
Mas os fabricantes ainda estão distantes do recorde de 2 milhões de motos produzidas em 2011. Um dos fatores que limita o crescimento é o mercado externo, com as exportações de motos apresentando quedas mensais praticamente consecutivas desde meados de 2018, após o acirramento da crise econômica na Argentina.
Para o diretor da Honda, no entanto, mais importante que os números em si é a forma como o mercado vem crescendo.
“Não é uma recuperação com grandes degraus, mas com o pé no chão. Temos hoje uma forma de concessão de crédito, que está puxando esse crescimento, muito mais madura”, afirma Cury, lembrando que a expansão acelerada do passado, com base em critérios de financiamento menos rigorosos, resultou em sérios problemas com inadimplência.
Em outubro foram exportadas 3,1 mil motos, queda de 27,8% na comparação anual. No acumulado de 2019 são 32,3 mil motos embarcadas, volume 47,5% menor em relação ao ano passado. A estimativa revisada é de queda de 40,5% nos embarques, com 34 mil motos exportadas. A estimativa anterior era exportar 40 mil unidades.
Apesar dos problemas econômicos, a Argentina ainda se mantém como o principal mercado para o produto brasileiro. O país responde por 47,1% das exportações no ano, seguida pela Colômbia (23,2%) e Estados Unidos (14,3%). Historicamente, a Argentina era destino de 70% das exportações do setor.