
Foragido há dois anos, indígena é preso por manter policiais reféns em fazenda
Três PMs foram mantidos em cárcere após confronto entre índios e fazendeiros em Caarapó
Foragido há dois anos, o indígena Leonardo de Souza, denunciado por manter policiais militares como reféns durante confronto entre índios e fazendeiros em Caarapó, foi preso na manhã de hoje, em Dourados.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o indígena, da etnia guarani-kaiowám, foi denunciado em 2016, pelos crimes de tortura, cárcere privado qualificado, roubo qualificado, sequestro, dano qualificado e corrupção de menores. Em agosto do mesmo ano, a Justiça Federal determinou a prisão preventiva e, desde então, Leonardo era considerado foragido.
O caso ocorreu em junho de 2016, quando um grupo de indígenas da aldeia Tay Kue ocupou a fazenda Yvu, reivindicando a área, que faria parte do território indígena, estando em fase de homologação. Houve confronto e o agente de saúde indígena Clodioude de Souza, morreu, além de seis pessoas ficarem feridas, entre índios e produtores rurais.
Três policiais militares que foram prestar apoio aos feridos foram mantidos reféns por algumas horas e tiveram armas e veículo apreendidos. A prisão de Leonardo refere-se a este último fato.
Ainda segundo o MPF, o órgão em Dourados recebeu diversas denúncias de ameaças realizadas por Leonardo de Souza a outros indígenas e testemunhas do caso. Segundo consta, Leonardo disse que seus familiares cumpririam as ameaças caso ele fosse preso.
Além do indígena preso, cinco fazendeiros também respondem por formação de milícia armada, homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado, lesão corporal, dano qualificado e constrangimento ilegal.
O CASO
Segundo o cacique da aldeia Tey Kue, que fica ao lado da fazenda invadida, Lorivaldo Nantes, informou ao Correio do Estado na época, indígenas foram até a fazenda reivindicar a área pacificamente, apesar de armados com arco e flecha, e teriam sido recebido a tiros por fazendeiros.
Houve o confronto, que terminou com uma morte e feridos. O agente de saúde indígena Clodioude Aquileu Rodrigues de Souza, foi atingido por dois disparos de arma de fogo, um no abdômen e outro no peito, e morreu no hospital.
Os militares foram feitos reféns depois da confirmação da morte do agente de saúde e para evitar que a polícia agisse em favor dos produtores. Polícia Militar disse, também na época, que o grupo foi acionado para auxiliar o Corpo de Bombeiros e foi rendido depois que um pneu furou.
Em 5 de julho de 2016, a Justiça Federal de Dourados deferiu requerimento do MPF e expediu mandados de prisão contra cinco proprietários rurais envolvidos na retirada forçada de indígenas da propriedade.
Correio do Estado