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Lara Pastorello Panachuk: “Dia do Professor: Harakashy e o ensino universitário”

Bacharel em Direito pela UFPR

Caro leitor, novamente é 15 de outubro. Como mencionado em artigos de anos anteriores, a expressão “quem faz a faculdade é o aluno” é extremamente incompleta ao desconsiderar o papel essencial dos professores. Assim, a partir das lentes de Direito e Literatura, serão expostas reflexões para o ensino, principalmente em âmbito jurídico.

O início da República no Brasil trouxe um ideário de igualdade que nem sempre conseguiu efetivação. O escritor Lima Barreto realizou críticas ferozes às faculdades da época (Direito, Medicina e Engenharia), com o conto “Harakashy e as Escolas de Java”, publicado em 1920.

No mencionado conto, Lima Barreto critica o tratamento privilegiado conferido pelos professores universitários da época aos alunos “filhos dos grandes dignatários da colônia, dos ricaços, dos homens de negócios que sabem levantar capitais”, que dificilmente não conseguiriam o diploma, mesmo se nada estudassem. A partir da análise desse momento pretérito, a reflexão a ser feita aqui é sobre o papel da meritocracia nas faculdades do presente.

O autor também exemplifica a questionável proximidade entre os poderosos e os tais mestres, que “têm que viver ajoujados aos ministros que dão empregos ou aos brasseurs d’affaires que lhes pedem emprestados os nomes para apadrinhar empresas honestas, semi-honestas e mesmo desonestas, em troco de boas gorjetas.” Assim, também é pertinente compreender, no momento atual, quais os limites para interesses estranhos ao ensino influenciarem o âmbito das faculdades.

Especificamente sobre o Direito, Lima Barreto ironiza com a denominação Faculdade de “Cortadores”, que tem como emblema uma tesoura, pois é “tradicional” que “toda defesa ou acusação judiciária tenha o maior número de citações possíveis, e tais peças são mais estimadas quando as referências aos autores consultados vêm nelas coladas com os próprios retalhos dos livros aludidos”. Extrai-se que o sarcasmo do autor recai sobre algo ainda comum no momento presente: o emaranhado excessivo de citações tanto em textos acadêmicos quanto de prática forense.

Assim, para o momento atual de reconstrução da República, ressalta-se ao caro leitor a importância da conduta exemplar dos verdadeiros Mestres que, vocacionados ao Magistério (em especial, o Jurídico, pelo recorte temático), ensinam os alunos, sem discriminá-los por ascendência ou renda, a pensarem por si mesmos. Feliz Dia do Professor!

 

Correio do Estado