
Para quem tem filho com deficiência, isolamento e cuidados com higiene são rotina: ‘Vivemos isso faz tempo’
Mães contam que máscaras, luvas e álcool gel já fazem parte da lista de compras e também "sentem na pele" o preconceito ao não recebem convites para festas.
Uso de máscaras, luvas, álcool e gel e lavagem das mãos várias vezes ao dia. O que nos soa como novas atitudes perante a pandemia, na verdade, são medidas praticadas há muito tempo para “mães de filhos especiais”. Outra questão, segundo elas, é que o isolamento social é algo frequente, já que raramente são convidadas para uma festa de aniversário ou outras comemorações, por exemplo.
“Quando começou a pandemia eu nem precisei comprar máscaras, luvas e o álcool, já que fazem parte da minha compra mensal de casa. Para nós, nada mudou. A gente já vive assim faz tempo. Lavamos a mão o tempo todo, já que qualquer cheiro a gente passa para os filhos. O cuidado é diário e quase que o tempo todo, se eles estão com febre ou com um pouco mais de suor já damos banho. E no mais, já quase não somos convidados para nada”, afirmou ao G1 a técnica em enfermagem Maria Suzana da Silva, de 36 anos.
Segundo Suzana, o filho tem 14 anos e luta contra a paralisia cerebral, hidrocefalia e microcefalia. “Tenho outro filho da mesma idade, que não é biológico e não possui problema algum. Eu percebo a diferença, já que ele tem passeia sempre e o outro não recebe convite para nada. Nós já saímos muito pouco, apesar de eu tentar ter uma vida normal, levando ele em lugares públicos, claro que evitando horários de aglomeração”, comentou.
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Mãe usou redes sociais para dizer que isolamento é frequente na vida dela — Foto: Redes Sociais/Reprodução
A dona de casa Isamara Souza Leite, de 25 anos, fala que a filha nasceu com microcefalia e ela a cria sozinha. Atualmente, com 3 anos de idade, ela ressalta que a rotina é da escolinha para casa. “Eu sempre tenho máscaras, álcool gel e luvas por perto. É assim desde que ela nasceu e uso, principalmente, por conta da baixa imunidade. Agora veio o medo da pandemia, mas, temos que ter coragem para seguir adiante. Ela também não possui convívio com o pai e eu quase nunca saio”, comentou.
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A também dona de casa, Sandra Inácio de Andrade, de 46 anos, fala que descobriu a paralisia cerebral do filho aos 7 meses, após inúmeras consultas com especialistas. De início, alguns falavam que o menino não iria andar, porém, com a insistência no tratamento, hoje o rapaz, aos 19 anos, caminha. No entanto, ele possui dificuldades na fala.
“Ele deu o primeiro passo aos 3 anos de idade e, até os 8, eu o carreguei no colo. Agora não tem como mais porque ele tem 1,72 metros. Eu sempre cuidei muito da higiene dele, com 3 a 4 banhos ao dia, com exceção somente nos dias mais frios. Nessa quarentena ele está dando um pouco de trabalho, principalmente, porque ia para escola todas as tardes. Ele não fala, mas, sabe onde fica a mochila dele, pega a minha bolsa também e fica querendo ir até o portão”, disse Inácio.
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De acordo com a mãe, que possui ainda outros três filhos, o único reforço que ela teve neste momento é com as máscaras. “Antes, eu só usava quando estava com gripe, algo assim, para não passar pra ele por conta da imunidade. Mas, a questão dos cuidados, sempre tive muitos. Ele usa fralda, por exemplo. E o isolamento já faz parte da nossa vida, só sou convidada por pouquíssimas pessoas. Tem parente que fala que ‘acha bonitinho’ o jeito que eu cuido dele, outros se incomodam na rua porque ele baba, perguntam se ele é louco. É tanta coisa que a gente até ignora”, lamentou.
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A técnica em radiologista médica, Adriana Monteiro, tenho 42 anos, comenta que o hábito de lavar as mãos é frequente. “Eu já vivo isso há muito tempo. Minha filha tem 18 anos e posso dizer que há 18 anos vivo em isolamento social. Tenho outra filha de 10 que não tem nenhuma deficiência, mas, de tanto ver tudo isso, também toma muitos cuidados. A mais velha é especial e, por conta do autismo, ela tem uma rotina, não gosta de muvuca e quer fazer sempre as mesma coisas, quando saio é algo rápido, somente consultas médicas e a Apae mesmo”, comentou.
Conforme Monteiro, as pessoas, quando olham as redes sociais, sempre fazem elogios sobre o cuidado com os filhos especiais. No entanto, as visitas em casa são raras, além dos convites para eventos sociais. “É complicado, no Facebook tudo é lindo e maravilhoso, só que no mundo real é bem diferente. Eu posso realmente dizer que vivo para os filhos”, finalizou.
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Fonte: G1 MS