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Trio do PCC acusado de execução de PM em 2013 é condenado por júri

Outros dois julgamentos serão realizados sobre ataques daquele ano

Os três integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que controla o tráfico de drogas e armas na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, foram condenados pela Justiça em tribunal do júri realizado na última quarta-feira (9), no Fórum de Três Lagoas, cidade onde aconteceu o crime.

Um forte esquema de segurança foi montado nas proximidades do Fórum de Três Lagoas. Um helicóptero do Comando Geral de Campo Grande, auxilia no monitoramento do local para evitar possíveis “resgates”.

A Justiça aceitou a denúncia contra dois dos três acusados feita pelo Ministério Público Estadual de planejar e executar o policial militar aposentado Otacílio Pereira de Oliveira, 60 anos, na porta de sua casa, na noite de 6 de março de 2013. Eles foram condenados a 39 anos e cinco meses de prisão e 26 anos e quatro meses, respectivamente.

Marcos Barbosa, o último dos acusados, acabou absolvido da execução do policial pelo júri, por falta de evidências claras de sua participação, mas foi condenado a sete anos e três meses por milícia privada e formação de quadrilha. Poderá cumprir a pena em regime semiaberto. O MPE promete recorrer da decisão.

Outros 14 integrantes da facção criminosa serão julgados em júris serão realizados na próxima segunda-feira (14) e também no dia 23.

Seis desses acusados estão em liberdade. A Justiça em Três Lagoas não informou se o direito foi adquirido nos tribunais ou se estão foragidos. O Portal Correio do Estado apurou que eles serão julgados à revelia se não comparecerem.

O CASO

A morte de Nascimento, em 12 de novembro de 2012, foi a que desencadeou a ordem do ‘salve’ dada do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, no Jardim Noroeste (região leste da Capital) no início do ano seguinte.

O próximo caso a ser julgado será o de Lucimar de Souza Nascimento, 34, que devia dinheiro ao PCC. Todos os acusados respondem por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e mediante emboscada), além de praticado por milícia privada e formação de quadrilha.

Segundo o setor de investigações gerais da Polícia Civil local, na ocasião a apuração do homicídio levou aos nomes de Geovani Aparecido Muniz Neves, 20, e Maicon Gomes de Sousa, 21, que atuavam como ‘disciplinas’ da facção na região, ou seja, eram os responsáveis por avaliar a conduta dos integrantes, decidir e colocar em prática ações criminosas e executar inimigos. Andrade foi morto por dever dinheiro em pontos de vendas de drogas, casas de prostituição e estuprar o familiar de um homem preso por roubo.

A prisão da dupla, em fevereiro de 2013, foi o estopim para lideranças da quadrilha. No dia 6 do mês seguinte, o PM aposentado foi a vítima inicial para vingar a polícia. O homicídio aconteceu à noite, na frente de sua casa, no bairro Osmar Ferreira Dutra. O autor do crime foi identificado como o próprio sobrinho da vítima, que havia cumprido pena no presídio local e passou informações sobre a rotina do tio aos criminosos para ser ‘batizado’, como é chamado entre eles o ritual de entrada para o bando, e ter uma dívida de drogas perdoada.

O caso foi fechado em três dias, quando a polícia descobriu o esconderijo dos assassinos, na região central. Houve tiroteio no momento da prisão e Wellington Rosa da Silva, 30, morreu ao ser baleado no revide.

A crise se agravou naquele ano. Ônibus foram incendiados e houveram pelo menos dois ataques a pessoas marcadas pela facção na cidade, acusadas de serem informantes. Ninguém morreu e os baleados serviram de testemunhas para a prisão de outros envolvidos, em operação que contou com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. No total, 43 de 55 mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça foram cumpridos, seis deles na Capital, de detentos da Máxima.

Descobriu-se que 2013 estava marcado para ser o ano de controle do crime no Estado. Através de escutas telefônicas, detentos remanejados entre as unidades passavam aos comparsas ordens de ataques e assassinatos. Quatro endereços de policiais militares e um de um investigador da Polícia Civil vieram à tona pelos criminosos e estavam com a morte encomendada, junto com a de agentes penitenciários.

Na ocasião, ainda, o serviço de inteligência da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp), desmantelou um plano audacioso da quadrilha, que aproveitaria o Dia das Bruxas, em 31 de outubro, para cometer uma série de ataques. Além das bases tradicionais de atuação no Estado do PCC (Capital, Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã). Mundo Novo e Ribas do Rio Pardo também teriam ações criminosas, impedidas pelas polícias.

Fonte: Correio do Estado.